Sobre comer, AMAR e Rezar

Então, essa semana quando eu estava pensando em um post, eu pensei em fazer uma resenha sobre o livro Comer, Rezar e Amar, escrito pela Elizabeth Gilbert, em 2006.

Na verdade eu li o livro em 2010 ou 2011, período em que eu estava precisando de um livro de auto-ajuda.

Eu não gostei de todo o livro, achei a parte do “rezar” muito chata, mas tem trechos do “comer” e do “amar” que caiam como uma luva para mim.

Acontece que quando eu estava lendo as partes do livro que transcrevi, eu percebi que muitas coisas que eu marquei eram sobre o “vício” que a protagonista tinha por um namorado, e achei que essa parte era ainda mais interessante que os outros tópicos: o vício amoroso.

Acredito que em um certo nível, normalmente aceitável, quando estamos apaixonados, estamos viciados na pessoa. Como uma droga mesmo. Sentimos necessidade, sentimos quase uma abstinência. A questão é saber quando esse sentimento deixa de ser saudável.

Um relacionamento são duas pessoas, então se você está deixando de ser você mesma e está se tornando apenas “a namorada do fulano”, isso está errado!

Pare para pensar: ele sabe os seus gostos? Cantor preferido? Música que é a tua cara? Melhor amiga? Livro favorito? Hobby? Se ele não sabe, se você mesma não sabe, cuidado!

E não vem dizer “o meu melhor amigo é o meu amor”, tudo bem, meu namorado é, também, meu melhor amigo, mas vocês devem e precisam ter outros melhores amigos, pelo bem da relação. Hobby: “ficar com meu namorado”, sim! É ótimo, maravilhoso, eu também adoro! Mas não tem mais nada? Algo que seja teu e de mais ninguém? Isso é necessário, e acreditem, os namorados vão gostar disso. Os homens no geral gostam de mulheres independentes, pelo menos aqueles que escolhem uma companheira, e não uma marionete.

Se o seu namorado quer uma companheira, ele quer te conhecer, ele quer te admirar, ver teu crescimento, gostos e até manias. Não perca sua personalidade por medo de perder o seu amor.

Voltando ao livro, vou transcrever um pouquinho aqui:

“O vício é a marca de toda história de amor baseada na obsessão.”

“Quando a droga lhe é retirada, você imediatamente adoece, louco em crise de abstinência (sem falar no ressentimento com o traficante que incentivou a adquirir o vício e agora se recusa a fornecer a droga) o estágio seguinte é você esquelética e tremendo num canto, sabendo apenas que venderia sua alma só para ter aquilo mais uma vez que fosse.”

“Então é isso. Você chegou ao ponto final da obsessão amorosa – a completa e implacável desvalorização de si mesma”

“David era ao mesmo tempo meu imã e minha criptonita”

“É melhor assim, eu sei. Estou escolhendo a felicidade em lugar do sofrimento, eu sei que estou. Estou criando espaço para o futuro desconhecido encher minha vida com surpresas que ainda está por vir. Eu sei tudo isso. Mas mesmo assim… É David. Eu agora o perdi.”

 

Além dessa parte de superar o vício amoroso da autora, ela parte para a viagem dela, em busca de auto conhecimento de amadurecimento (sobre o que vou falar em outro texto), que também é muito interessante no livro. E claro, após se encontrar, a Liz encontra um novo amor.

Porém nessa nova fase, nessa nova Liz, é outro relacionamento, que não é baseado na obsessão. E isso só foi possível pela jornada de autoconhecimento dela, pelo amadurecimento, por ela ter se completado, para após encontrar um parceiro de vida.

E, ela nos passa uma receita.

“Conheço uma cura para coração partido: vitamina E, dormir bastante, beber bastante água, viajar para um lugar bem longe da pessoa que você amou, meditar e ensinar a seu coração que isso é o destino.”

E nos traz duas considerações muito legais:

“O amor é sempre complicado. Mas, mesmo assim, os seres humanos precisam tentar se amar. A gente precisa ter o coração partido algumas vezes, isso é um bom sinal, ter o coração partido, quer dizer que a gente tentou alguma coisa.”

“Perder o equilíbrio, as vezes, por causa do amor faz parte de uma vida equilibrada.”

E depois de estar se relacionando com seu novo amor, a autora trás duas frases, com as quais eu me identifico muito – além de muitas outras, mas essa em especial:

– Algumas vezes queria que você fosse uma menininha perdida, que eu pudesse pegar no colo e cuidar. Mas você não é uma menininha perdida, é uma mulher com uma carreira e uma ambição. Você é o perfeito caracol. Carrega sua casa nas costas. Deveria agarrar essa liberdade pelo máximo de tempo possível.

Não tenho certeza do que quero. Sei que existe uma parte de mim que sempre quis ouvir um homem dizer: ‘deixe eu cuidar de você pra sempre’, e nunca ouvi isso de ninguém antes. Ao longo dos últimos anos, desisti de procurar essa pessoa e aprendi a dizer essa frase para mim mesma, especialmente nos momentos de medo.

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